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Brainstorming – Ferramenta para alta criatividade

26 abril 2014
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Brainstorming

Existem dezenas de processos criativos para aplicação na solução de problemas das empresas. Apesar de, na minha experiência, serem todos eles desprezados nas empresas brasileiras, tenho usado em algumas delas o mais conhecido nos EUA: o brainstorming, sempre com excepcionais resultados.

Também muito usados nos EUA, dois outros processos se destacam: o pensamento lateral (lateral thinking) e a sinética (synectics). O pensamento lateral foi criado por Edward de Bono, em 1970. A sinética foi criada por George Prince em torno de 1954, mas o processo só foi publicado em 1970.

O brainstorming é comumente conhecido como um processo de grupo no qual “as pessoas se reúnem em torno da mesa e podem falar qualquer coisa (asneira, bobagem, etc.)”. Nada mais absurdo! Talvez por essa razão o processo tenha sido rejeitado pelas empresas. É uma pena porque elas estão perdendo a oportunidade de melhorar seus resultados. O brainstorming não é isso. Publicado em 1953, seu criador foi Alex Osborn.

O brainstorming é um processo que reúne um grupo com a finalidade de criar solução para um determinado problema e se caracteriza pelas etapas que devem ser cumpridas. Esse aspecto, o descumprimento das etapas da parte de quem aplica é que resulta no insucesso. Nada a ver com o processo, mas sim com a falta de vontade de fazê-lo certo. Aliás, qualquer processo que não siga disciplinadamente as etapas recomendadas resultará errado; não só o brainstorming.

Certa vez fui visitar um colega que era diretor de uma multinacional e, quando estava descrevendo o tipo de consultoria que eu poderia lhe dar, ele me interrompeu e disse: “Ah! brainstorming? nós fazemos aqui, vamos subir porque lá na sala de reuniões está agora havendo uma sessão de brainstorming”. Subi, e lá chegando vi uma grande mesa rodeada de pessoas. Imediatamente perguntei, simples curiosidade, qual era a etapa do processo em que eles estavam. Ele me respondeu aquilo que eu já esperava: ”Que etapa? Estamos dando ideias”. Mas vocês não passaram pelas etapas anteriores? disse eu. Bem, para encurtar a história, o brainstorming era só aquela reunião e, realmente, podiam falar qualquer asneira. Podia dar certo?

Eu acho que a grande maioria não usa o brainstorming para resolver os problemas da empresa e a minoria que usa, o faz da maneira acima citada. Uma perda lastimável para a empresa, pois se o processo for usado corretamente trará grandes benefícios para a empresa e para o pessoal que participa.

Para usa-lo corretamente as etapas que deverão ser seguidas são:

1. Orientação – esclarecer qual é o problema.

2. Preparação – reunião dos dados pertinentes ao problema.

3. Análise – separação do material de importância.

4. Ideação – geração de alternativas por meio de ideias.

5. Incubação – descanso, para gerar iluminação.

6. Síntese – reunião dos elementos.

7. Avaliação – Julgamento das ideias resultantes.

Segundo o criador do brainstorming, durante a etapa 4, Ideação, deve-se tentar o maior número possível de ideias, pois, diz ele, “a quantidade gera a qualidade”. Nessa etapa é que se pode falar qualquer asneira porque, tendo passado pelas etapas anteriores, as asneiras gerarão “caronas” nos demais participantes. Na neurociência isto é chamado de conexões analógicas. E, com isso, aumenta substancialmente o número de ideias.

Nesses mais de 30 anos usando o brainstorming tive casos com mais de 1.000 ideias. O número normal de ideias, no entanto, na minha experiência, é de cerca de 400 ideias.

Mas o grupo criativo deve ter um período de desenvolvimento comportamental antes do seu início, para que a produtividade criativa atinja os níveis acima citados. Este desenvolvimento comportamental deve ficar a cargo de psicólogas organizacionais, de forma que cada participante, no mínimo (entre muitas outras que o espaço não permite):

- ouça o companheiro sem interrompê-lo;

- evite conversa paralela;

- tente entender a ideia do outro;

- não deixe prevalecer a forte tendência egocêntrica;

- seja receptivo a qualquer ideia do outro;

- avalie a si mesmo e controle seus impulsos negativos;

- não exija que uma ideia seja justificada; etc.

Os resultados do brainstorming, em cada caso, são excepcionais:

Para a empresa – reduz custos, antecipa prazos do cronograma, aumenta a qualidade, agiliza o processo decisório, otimiza o planejamento estratégico, introduz inovação, etc.

Para as pessoas que participam – melhora o relacionamento interpessoal, dá maior visão do todo (Gestalt), aprende a ouvir, aprende a ser criativo, aprende a analisar a si mesmo (autoconhecimento), aprende a focar, etc.

Os benefícios são tantos que vale a pena investir em um grupo de brainstorming. Eu disse investir porque tem alto retorno; não é um custo.

Os dirigentes não usam o brainstorming, além das razões já citadas, porque pensam que vão perder o poder de decisão. Não perdem, porque o grupo do brainstorming não decide, é apenas parte do processo decisório, oferecendo um leque de alternativas viáveis para decisão superior.

Se houver interesse em saber mais sobre o processo por favor entre em contato: jaffonso@embrascon.com

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