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Inteligência emocional reduz custos

08 abril 2014
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“O bom gerente é aquele que atende aos objetivos da empresa e executa as tarefas dentro do prazo, do custo e dos padrões requeridos de qualidade.”

Inteligência Emocional

Essa definição, que perdura há cerca de 50 anos na mente e no comportamento da maioria dos gerentes, foi compatível em uma época em que as variáveis envolvidas — tecnológicas, ambientais, humanas e financeiras — não tinham a complexidade, em alguns casos, nem os anseios e desejos das pessoas no trabalho, em outros, daquelas existentes em nossos dias.

Em uma das maiores empresas dos E.U.A. a falta de visão dos gerentes quanto às mudanças que deveriam ser introduzidas em seu modelo de gestão resultou no fato de que, dos 200 projetos em andamento, 100% ultrapassaram os custos previstos.

Pesquisa realizada por D. Cleland e H. Kerzner explica tal fenômeno a partir do comportamento adotado pelos gerentes americanos. A pesquisa mostrou que, para eles, os fatores determinantes de sucesso eram os seguintes: performance (75%), prazo (25%) e custo (0%). Por performance entende-se aqui a consecução dos objetivos. Ou seja, custo não é importante! Até que não é estranho em um país de “capital intensive”, modelo oposto ao nosso.

A partir da década de 1960, as empresas notaram que a turbulência ambiental deveria resultar na mudança não só do comportamento gerencial como do comportamento das pessoas e das equipes nas diversas áreas da empresa.

Verificou-se que havia necessidade de serem introduzidos programas de treinamento e desenvolvimento na tentativa de ser encontrada solução para se evitar os custos elevados.

Em torno daquela época, com o estabelecimento no Brasil das grandes empresas americanas de consultoria, a cultura do gerente americano passou a predominar entre nós.

Nossa escola de gerentes sofreu profunda influência dessa atitude segundo a qual o custo não é importante. Isto trouxe uma radicalização no comportamento dos gerentes, cuja maior preocupação eram as especificações e o prazo. E o pior é que dificilmente os programas terminavam dentro do custo, do prazo e com qualidade. O aumento dos custos passou a ser comum, tanto nas organizações como nos seus projetos.

Os recursos financeiros escassos em nosso país faz com que a semente do conceito de custo seja iniciado nas escolas e, após, ampliado com cursos específicos nas universidades, criando uma mentalidade adequada à nossa realidade.

Devido a esta falha na nossa educação, as empresas que desejavam reduzir os seus custos recorriam às indesejadas demissões, na ignorância de outra alternativa como, por exemplo, os processos de redução de custos já existentes no exterior desde 1947!

Os processos de redução de custos, hoje em dia, na grande maioria dos casos, são realizados por consultoras. Eles têm seus fundamentos ou na razão ou na emoção, ou em ambos. O processo racional é de fácil aprendizado e seus resultados são de pequena monta. O processo que usa o poder das emoções tem seus fundamentos na inteligência emocional (dos sentimentos) e depende integralmente do treinamento e desenvolvimento de pessoas da empresa e seu resultado é excepcional.

No Brasil, me parece, a Petrobras foi a pioneira no uso da inteligência emocional para redução de custos. Isso aconteceu em 1982 em um projeto na Refinaria de Caxias. Usou para tal o processo de Economicidade, este criado em 1975. Logo após, a Economicidade foi usada pela Companhia Vale do Rio Doce e muitas outras empresas. Desde então, o pessoal que adquiriu o know-how do processo o tem aplicado, com apoio de psicólogas, sempre com benefícios inestimáveis não só para a empresa como também para o seu desenvolvimento interpessoal e criativo.

Nossa experiência usando a psicologia organizacional durante a aplicação do processo de Economicidade tem nos mostrado que ela se tornou uma ferramenta inestimável no treinamento e desenvolvimento do pessoal da empresa para otimização dos seus custos. Tem sido usado pelas empresas, preferencialmente para redução de seus custos, no entanto se mostrou um robusto apoio também no planejamento estratégico e no processo decisório.

Cada vez mais as empresas vão usar os fundamentos da psicologia organizacional como instrumento de gestão de pessoas e de otimização organizacional, tal os benefícios diretos e indiretos que são alcançados.

Pelos resultados comprovados que tem sido alcançados, em benefício da empresa e do seu pessoal, a redução de custos via psicologia organizacional deve ser considerada uma ação estratégica.

Bem, e a definição de gerente (dirigente, gestor, diretor, superintendente, chefe, e qualquer um que tenha pessoas sob sua responsabilidade no trabalho) então, pode ser: gerente é aquele que constrói uma equipe (“building a team”) capacitada para cumprir suas obrigações na empresa no menor prazo, com menores custos, sem prejuízo da qualidade, em um ambiente alegre, criativo e motivador.

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