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A criatividade na empresa – Parte 1

30 maio 2014
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O assunto criatividade nas empresas tem sido objeto de inúmeras pesquisas. No início, estas pesquisas estavam atreladas às pesquisas sobre inteligência, já que se acreditava que a criatividade aumentaria com o aumento da inteligência. Segundo o famoso psicólogo americano J.P. Guilford “o exame do conteúdo dos testes de inteligência revelaram muito pouco de que existia algo de natureza criativa; muitas pessoas acreditam que o talento criativo deve ser creditado à inteligência elevada ou alto QI. Esta concepção não só é inadequada como também foi a responsável pela falta de progresso no entendimento do que seja uma pessoa criativa”.

imagination

Com o aprofundamento das pesquisas na área da neurociência, foi revelado que o cérebro humano tem suas áreas especializadas interligadas e interdependentes e que havia total possibilidade da criatividade estar umbilicalmente ligada às inteligências. Para nós leigos da neurociência, só entendíamos a palavra inteligência como sendo sinônimo de intelecto, racionalidade. Mas começamos a entender os vários significados dela a partir das pesquisas publicadas por Howard Gardner, da Universidade de Harvard, que revelaram possuirmos sete inteligências. Mais tarde, com a publicação do livro “A inteligência emocional”, de Daniel Goleman, ficamos familiarizados, pelo menos, com duas: a inteligência racional e a inteligência emocional.

Bem, vou voltar ao tema do artigo. Assim como existem essas duas inteligências, podemos dizer que também existem duas criatividades: a criatividade racional e a criatividade emocional.

Os processos criativos: “Pensamento lateral”, desenvolvido por Edward de Bono; O Brainstorming, por Alex Osborn; e o Synectics, por Prince e Gordon, e todos os outros processos atualmente em uso nas empresas, têm base na inteligência racional, buscando a criatividade ou por meio de conexões analógicas ou provocando reestruturação de algum modelo existente através de questionamento.

As pesquisas do neurocientista Paul McLean já tinham mostrado ao mundo a teoria do cérebro triuno, que revelou os potenciais humanos latentes no sistema límbico (alguns autores chamam de “mamelian” por ter surgido com os mamíferos), que veio a ser conhecido como “a sede das emoções”. Em 1982, realizei uma consultoria para a Petrobras, na área de engenharia, onde as emoções positivas eram estimuladas para melhorar o resultado de um projeto. Naquela época, no entanto, não se cogitava que a melhoria pudesse ser proveniente de outra inteligência que não fosse a racional.

Eu creio que a maioria que fala da inteligência emocional tem dificuldade de explicar o mecanismo de seu funcionamento, pois é um assunto ainda em discussão na área da neurociência. Por exemplo: qual a sua origem e seu processamento dentro do mecanismo cerebral? Sua exteriorização se dá pela linguagem humana (racional)? Ou somente demonstrada pelas reações do corpo (“O corpo fala”)?

Uma coisa é certa, e que interessa a este texto no momento: a criatividade emocional é pouco aplicada nas empresas, o que é uma pena!

Desde 1982 tenho tido trabalhos aplicando a criatividade emocional, usando os potenciais latentes, revelados por McLean, com a finalidade de melhorar planejamentos, processos e projetos. Há pouco tempo, tivemos resultados bastante significativos com a aplicação da criatividade emocional em um projeto petroquímico, mas anteriormente já aplicávamos na gestão, seja no processo decisório seja no planejamento estratégico.

Os resultados que tenho conseguido com a criatividade emocional, ou seja, com uso das emoções positivas (emoções produtivas, para alguns), são bem melhores do que os resultados provenientes da criatividade racional. E os resultados não são pouco melhores, são muito melhores! Se você estiver interessado em mais detalhes peço se reportar ao site www.embrascon.com porque lá você vai encontrar resultados da prática das emoções nos negócios.

Um detalhe: tanto a inteligência emocional quanto a criatividade emocional quando se comunicam com o exterior o fazem pela linguagem, que é um atributo da inteligência racional. Assim sendo, me parece que o único canal de saída, ou de comunicação, da inteligência/criatividade emocional, pela linguagem, é através do lóbulo frontal esquerdo do neocortex, esse como sabemos é a última camada evolutiva do cérebro humano, que é a sede da razão.

Minha interpretação deste fato é que as emoções são o combustível para dinamizar a inteligência/criatividade racional, resultando por isso um produto quantitativamente maior. Este produto então foi rotulado de inteligência emocional ou, em se tratando de criatividade, de criatividade emocional.

Mas todo cuidado é pouco quando se trabalha com emoções porque o resultado vai depender do estímulo: se positivo (produtivo) ou se negativo (destrutivo). Se o estímulo for positivo o produto pode resultar quantitativamente e qualitativamente melhor (mais alegria, felicidade, amizade, amor, cooperação, altruísmo, humildade, simpatia, gratidão, admiração, etc.), mas se o estímulo for negativo o produto dará resultado inverso (mais tristeza, vergonha, culpa, embaraço, indignação, desprezo, medo, inveja, revanche, repulsa, etc.).

Todo aquele que quiser desenvolver inteligência/criatividade emocional na empresa deve cuidar para que o seu foco esteja nos estímulos, do contrário pode dar o resultado inverso, como dito acima. A psicologia organizacional tem as ferramentas necessárias para desenvolver nas pessoas, no trabalho, os estímulos adequados.

Existem outros aspectos quando se escreve sobre criatividade, como por exemplo: a influência da idade, a influência da especialidade, o valor do grupo integrado, a influência da hierarquia, etc. São aspectos que abordarei em próximo artigo.

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