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Os quatro sistemas paradigmáticos

08 maio 2014
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O Paradigma Tecnológico

Com o advento da era industrial, por volta de uns 300 anos atrás, surgiu ainda incipiente o paradigma tecnológico. No século XIX, no entanto, já se avolumavam as grandes invenções e os negócios comerciais. No início do século XX, as organizações industriais começaram a dar mostras de pujança em termos financeiros e de instalações físicas para atender à produção.

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Aconteceu então o grande boom tecnológico. A tecnologia teve um crescimento exponencial nos primeiros 60 anos do século XX, em relação aos 200 anos anteriores. Em torno de 1960, McNamara, secretário de Defesa dos EUA, declarou que, se esse crescimento tecnológico não fosse gerenciado, tornar-se-ia desastroso nos 50 anos seguintes. Seria necessário um gerenciamento da tecnologia para que esta fosse desenvolvida em proveito da humanidade e não como um fim em si mesmo. Acho que ele estava se referindo às novas teorias gerenciais que, já então, estavam sendo elaboradas por professores americanos.

O Paradigma Gerencial

O alerta de McNamara foi profícuo, pois iniciou uma fase febril de processos gerenciais que poderiam otimizar o uso da tecnologia em direção ao seu uso mais nobre – o bem da sociedade. Até então os processos gerenciais eram quase totalmente baseados em métodos racionais e, salvo raríssimas exceções, não abordavam a influência do aspecto humano no processo. Entre os métodos racionais o mais conhecido foi o desenvolvido por Kepner e Tregoe, dois professores americanos, exposto no livro O administrador racional (The rational manager) em 1965.

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Não se pode negar que os processos gerenciais nos levaram a um novo paradigma e contribuíram para o uso adequado da tecnologia. Entre os mais conhecidos estão: a administração por objetivos, o planejamento estratégico  e a qualidade total.

Destes, o único que considerou o fator humano, ainda que incipientemente, foi o processo da qualidade total. Minha experiência no uso do fator humano no planejamento estratégico de grandes empresas, a partir de 1980, não pode ser citada como um fato novo por não ter valor estatístico. Essa experiência se deu através da aplicação do produto que eu criei e implantei com sucesso, a partir de 1975, a “Integração Estratégica”, que usa fundamentos da teoria do planejamento estratégico priorizando o fator humano. A prevalência do fator humano sobre o método, na aplicação de um processo gerencial há cerca de 35 anos, me parece uma inovação na área da gestão.

O Paradigma Comportamental

Apesar desses avanços as empresas ainda continuavam com problemas. Tinham tecnologia e tinham processos gerenciais; mas faltava algo. Devido aos constantes conflitos e aos comportamentos autoritários, as empresas foram buscar nas universidades as pesquisas e as teorias acerca do comportamento humano. Esses estudos datavam da segunda metade da década de 1940 e da década de 1950, principalmente os de Elton Mayo e Mary Follet, entre outros, que na época não tiveram eco, pois ainda não havia ambiente para sua aplicação na prática empresarial.

Este novo paradigma resultou de estudos da área humana que não visavam somente o lado do patrão — o aumento da produção pelo uso da “administração científica” — mas algo bem mais profundo. Eles deram início aos estudos que provaram ser a autorrealização no trabalho o principal fator para a deflagração de uma energia endógena pouco estudada na época – a motivação.

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Mesmo com a aplicação de vários processos gerenciais metodologicamente corretos e com a disseminação das teorias comportamentais nas empresas, a tecnologia tem trazido problemas gravíssimos. É certo que hoje o ser humano tem vida mais longa, mais lazer, mais comodidade em casa e no trabalho. Por outro lado, isso pouco representa do ponto de vista de uma ética humanista: somente uma ínfima parte dos seres humanos em nosso planeta goza dos benefícios da tecnologia. Egoísmo, orgulho, poder, falta de solidariedade e outros fatores negativos da personalidade humana vêm predominando no uso da tecnologia de forma insustentável. Como podem dirigentes racionais, intelectualmente desenvolvidos, gastar bilhões de dólares em armas para eliminar seus irmãos e não ter recursos financeiros para acabar com a fome e a miséria? Que método está faltando para gerenciar adequadamente o uso dos recursos de modo que todos os povos da Terra possam usufruir de seus benefícios? Será possível aceitar a falta de gerenciamento adequado na poluição dos mares e rios? Será que os administradores intelectuais das tecnologias que poluem o ar atmosférico não têm racionalidade suficiente para fazerem autocrítica e evitarem que uma formidável invenção como o automóvel jogue uma substância mortífera, o CO, para ser inalada diariamente pelo povo nas ruas? Raciocínio idêntico poderia ser feito para os administradores da tecnologia de ar condicionado. Por fim, mas não menos importante, eu perguntaria aos administradores públicos e privados, com seus modernos métodos racionais de gerenciamento, por que permitem a devastação irracional das florestas e o uso irracional e ilimitado dos recursos naturais?

Alguns poucos lutam para que o uso da tecnologia seja reformulado para um novo paradigma, pois do contrário o que se extinguirá não é a Terra e sim, com toda a certeza, a Vida na Terra. Dentro dos atuais paradigmas tecnológicos, gerenciais e dos valores comportamentais hoje praticados, não há outro destino para nós. E um novo paradigma é imperativo.

O Paradigma Espiritual

Precisamos de um novo paradigma focado nos valores morais e éticos. Nosso sonho é de que todas as crianças sejam ensinadas a amar a si mesmo e a amar o próximo, a amar a natureza (que elas são parte), a desenvolver o caráter e aprender a fazer o bem. Somente através do desenvolvimento dos valores fundamentais terá o ser humano condições de, transformando-se, eliminar o seu desequilíbrio interior e as maléficas consequências que este acarreta para o futuro da humanidade.

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A boa notícia é que já fui chamado para fazer palestra sobre “Os Benefícios da Espiritualidade na Empresa”. Alem disso, já existe um bom número de livros sobre espiritualidade nos negócios (vamos torcer para que cheguem aos sofás dos dirigentes).

A evolução é inexorável!

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